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| flâneur candango na extinta SPS 308 |
FLANAR
verbo intransitivo
1. Passear sem destino e sem pressa, por mera distração.
A inauguração do Setor de Parada Sul, em 29 de fevereiro de 1960, gerou controvérsias na cidade. A proposta era inspirada naquele ser que anda pela cidade para observar a vida urbana cotidiana, o flâneur, do precursor da poesia modernista Baudelaire.
O SPS era um espaço demarcado híbrido aos demais setores de Brasília. A ideia é que houvesse Setores de Parada nos diversos cantos da cidade: no Setor de Diversões, no Setor Comercial, no Setor de Autarquias... Assim, próximo a uma SQS, teria um SPS, assim como há uma CLS.
Lúcio Costa justificava o Setor de Parada no relatório do Plano Piloto: "...cidade viva e aprazível, própria ao devaneio e à especulação intelectual". O SPS era um lugar para que os habitantes da nova capital fossem flâneurs, que vagassem pela cidade, sem pressa, para apreciar o que havia sido projetado para eles. Era tempo e espaço para pensar a cidade.
No entanto, as autoridades políticas da época não compreendiam o motivo de um setor para se fazer nada. Ora, como fazer nada no lugar onde tudo deveria ser feito? Brasília não era cidade de ócio, era a capital do desenvolvimento. Brasília não era parada, era ação. Em meio às críticas, o Departamento de Urbanismo da Novacap decidiu não seguir adiante com a proposta do Setor de Parada e o recém-inaugurado SPS 308 foi substituído por mais alguns metros de cinturão verde, sendo imperceptível hoje que um dia existiu.
Especialistas afirmam que a ideia de Costa talvez tenha sido muito vanguardista para a época. Ainda hoje, 53 anos depois, é controverso aceitar que fazer nada ainda é fazer algo. Mas o convite ainda persiste: sair sem rumo pela cidade para apreciar. Compreender. Participar. Flanar.